Síndrome da Morte Súbita Infantil: finalmente, algumas respostas

Pesquisas lançam nova luz sobre as causas congênitas de mortes “inexplicáveis” de bebês

 

Também chamada de “morte do berço” ou “morte súbita infantil”, a Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) é um fenômeno terrível de se encarar e também de se explicar aos pais: por que, afinal, um bebê saudável morreu de repente, em pleno berço, sem qualquer causa aparente? Será que ele partiu suavemente durante o sono? Ou será que teve de lutar para tentar respirar? Essa tragédia poderia ter sido evitada?

Eu nunca tive respostas adequadas para estas perguntas, o que deixava os pais sofrendo em meio à nossa ignorância médica.

Mas agora, finalmente, começamos a ter algumas respostas reais para dar aos pais a respeito da causa da Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

Um estudo publicado pela revista médica “Pediatrics” relata que a maioria das crianças vítimas da SMSL apresentava anormalidades no tronco encefálico. As anomalias, em particular, estavam nos níveis e nos receptores de serotonina, nos receptores GABA e 14-3-3, uma proteína que regula a serotonina. Não é, portanto, apenas o sufocamento o que causa a SMSL. Os bebês vitimados apresentam muitas vezes uma anormalidade do tronco cerebral que os impede de responder adequadamente à falta de oxigênio.

Quando você adormece com um cobertor em cima do rosto, você acorda. Mas o tronco encefálico imaturo de alguns bebês não reconhece corretamente esses episódios de falta de oxigênio: assim, os bebês não acordam nem se mexem instintivamente e, por isso, acabam morrendo.

Ainda não sabemos dizer quais são os bebês que apresentam essas anormalidades do tronco cerebral. Não existe hoje um diagnóstico que detecte o risco de SMSL. A Dra. Hannah Kinney, autora deste e de muitos outros estudos sobre a SMSL, espera desenvolver futuramente um teste adequado, mas, por agora, o que se recomenda é evitar a SMSL mediante algumas precauções específicas, como manter os bebês em ambientes de sono seguro, colocando-os para dormir deitados com as costas para baixo (e não de barriga para baixo) e longe de quaisquer objetos que provoquem risco de asfixia. Em suas conclusões, a Dra. Kinny enfatiza a necessidade das práticas do sono seguro para os bebês.

Há três regras que nos ajudam a manter os nossos bebês seguros enquanto dormem:

1 – Os bebês devem dormir sozinhos,

2 – deitados com as costas para baixo (ou seja, de barriga para cima),

3 – e em um berço adequado.

Essas três regras, no entanto, ainda são motivo de controvérsia, especialmente entre as mães lactantes que desejam compartilhar a cama com seu bebê. Acontece que compartilhar a cama com o bebê aumenta o risco de sufocamento infantil. A grande maioria dos pediatras concorda que o lugar mais seguro para um bebê dormir é, sim, o mesmo quarto em que fica a mãe, mas não a mesma cama.

Os doutores Sears, McKenna e Burke são renomados pediatras norte-americanos que defendem a partilha da cama, indo contra as pesquisas que mostram que os bebês que dormem junto com adultos sofrem mais risco de SMSL. Eu reconheço os esforços deles para incentivar os vínculos entre mães e filhos e o aleitamento materno, mas acho que as estatísticas de óbitos de bebês falam por si. Para dar um exemplo, 57 crianças morreram em 2011 só no Estado norte-americano do Missouri enquanto compartilhavam a cama com um dos pais, conforme dados do programa estadual Child Fatality Review. O risco da morte súbita durante o sono aumenta 15 vezes quando um dos pais está dormindo na mesma cama com o bebê. O risco também é alto quando se dorme com o bebê num sofá. Os pais precisam ser especificamente alertados sobre esses riscos.

Quem defende o compartilhamento da cama com o bebê afirma que os seres humanos dividem a cama com seus filhos pequenos desde a mais remota antiguidade. Isso até pode ser verdade, mas as nossas camas são hoje muito mais macias e propensas a causar sufocamento em nossos bebês. Além disso, não temos estatísticas sobre a real quantidade de crianças que morreram na cama dos pais ao longo de toda a história. Não devem ser poucas, infelizmente.

As perguntas mais comuns que as mães e pais me fazem sobre o sono seguro dos bebês são estas:

“Até que idade o bebê deve dormir de barriga para cima?”

A Academia Americana de Pediatria recomenda que os bebês durmam de barriga para cima até completarem um ano de idade. Como mãe, eu sei que isso não é fácil! Mas acostume o seu bebê a dormir com as costas para baixo (e nunca de barriga para baixo) desde o momento em que ele nasce. Deixe que ele aprenda a dormir assim. Não o deixe dormir de barriga nem sequer quando ele está no seu colo. E também não deixe que ele durma de lado.

“E se o neném babar enquanto estiver dormindo de barriga para cima? Será que ele não vai engasgar?”

Não. Neurologicamente, os bebês saudáveis não engasgam com a própria saliva, mesmo dormindo de barriga para cima. Eles podem tossir um pouco, mas isso é normal.

“Nós temos um berço com protetores laterais almofadados, cobertores, bichos de pelúcia e outros itens decorativos. Esse berço é seguro?”

Não. Não deve haver nada no berço além do próprio bebê e de um lençol justo, apropriado para o berço. Os “kits de berço” comercializados por muitas lojas de varejo incluem uma série de itens que não são seguros. Nunca coloque cobertores no berço do seu bebê, exceto para enrolá-lo do jeito que eu vou descrever logo adiante. Os protetores laterais, de tipo “para-choque” de berço, não são recomendados porque envolvem risco de sufocamento. Nunca coloque travesseiros, cobertores, bichos de pelúcia, almofadas ou outros objetos no berço do seu bebê.

“Posso ‘enfaixar’ o bebê usando cobertor infantil, do jeito que as enfermeiras o enfaixam no berçário do hospital?”

Sim. De maneira confortável, mas firme e segura. São recomendados os “cobertores vestíveis” ou com fechos de velcro, que envolvem o bebê para mantê-lo aquecido e em segurança. Esses cobertores seguros para envolver o bebê também podem ajudá-lo a dormir durante períodos mais longos à noite, o que significa que você também vai poder dormir mais. Mas atenção: cuidado para não deixar o bebê com calor demais.

“Posso usar posicionadores para dormir?”

Os posicionadores de sono e os apoios que elevam o bebê no berço apresentam riscos bastante relevantes de sufocamento. Eles já chegaram a ser comercializados como dispositivos de prevenção contra a SMSL, mas hoje são mais conhecidos exatamente pelo contrário. Se o seu bebê baba muito ou foi diagnosticado com refluxo gastroesofágico, você pode avaliar a conveniência de elevar um pouco a cabeceira do colchão do berço. Se tiver quaisquer dúvidas, informe-se sempre com um bom pediatra. Mas lembre-se: não deve ser colocado nada no berço além do próprio bebê e de um lençol justo e apropriado para berço.

“Eu gosto de dormir com meu bebê, especialmente quando amamento à noite. Isso não é seguro?”

Colocar o bebê para dormir com você na sua cama aumenta de maneira muito significativa o risco de asfixia. Dormir com o bebê num sofá, num colchão d’água ou numa cama com edredom é mais perigoso ainda. Infelizmente, muitos bebês morrem porque ficam presos entre um dos pais e alguma almofada ou travesseiro ou com o rosto “enterrado” na cama. Eu mesma amamento e sei o quanto é difícil não dormir junto com o bebê durante a amamentação. A amamentação em si reduz o risco de SMSL e traz muitos outros benefícios para a mãe e para o bebê: então, por favor, não deixe que o medo da asfixia desestimule você de amamentar. Berços próximos da cabeceira da sua cama podem facilitar as coisas, mas certifique-se sempre de que o berço do seu bebê seja realmente seguro contra a SMSL. Muitas caminhas do tipo “moisés”, assim como cobertores e roupa de cama macia, não são seguras.

Para as mães que querem dormir com seus bebês, eu recomendo o uso de um berço de três lados contíguo à cama dos pais. São especialmente úteis para as mães lactantes, porque com eles é mais fácil amamentar, inclusive a cada 1 ou 2 horas, conforme necessário, e depois colocar o bebê em segurança de volta no berço e voltar a dormir tranquilamente, sem precisar sequer colocar os pés no chão. A Academia Americana de Pediatria considera que as pesquisas atuais não são suficientes ainda para recomendar ou desaconselhar esses berços contíguos à cama dos pais. Eu os recomendo por serem uma espécie de combinação entre a partilha da cama e o uso do berço. É uma solução que otimiza a amamentação e o vínculo materno-infantil, minimizando ao mesmo tempo os riscos de asfixia e de SMSL.

Naturalmente, é de fundamental importância abordar estes assuntos com um bom pediatra para esclarecer todas as dúvidas e receber as orientações mais adequadas e responsáveis.

Fonte: Aleteia.org