Insônia comportamental da infância

Dormir bem é algo que se aprende.

De acordo com estudos recentes, aproximadamente 35 % das crianças menores de cinco anos sofrem de insônia.

É muito comum pais exaustos chegarem ao consultório relatando uma verdadeira batalha na hora de dormir, inúmeros despertares no meio da noite ou ambos. Como conseqüência, estas crianças tornam-se irritáveis, desatentas, com choro fácil, sono superficial e não reparador. Há um grande prejuízo na vida conjugal e profissional dos pais em decorrência do cansaço causado pelas noites mal dormidas.

Fato é que, ao nascer, o bebê não vem com manual de instrução e, algo que no início é justificado com frases como: “isso é passageiro”, “é só um período de adaptação”, “é fome, é cólica, é refluxo, é dente, é frio, é calor”, “aos três meses tudo melhora”, “quando aprender a andar, quando for para a creche, quando desfraldar…” tende a perpetuar-se, acarretando problemas futuros caso a abordagem inicial seja equivocada, apesar das excelentes intenções dos pais . Assim como o bebê nasce sem saber engatinhar, falar, andar, comer e necessita, com incentivo e auxílio dos pais, atingir estes marcos do desenvolvimento, muitas crianças necessitam de auxílio para aprender a conciliar o sono sozinhas, ou seja, precisam aprender a dormir!

No caso do recém nascido, o ritmo biológico, diferente dos adultos, que se repete a cada 24 horas, dura aproximadamente 3-4 horas, período este em que acordam, são alimentados, trocados e voltam a dormir. Por volta do terceiro mês ou um pouco mais tarde, este ritmo tende a prolongar-se e, com o tempo, torna-se semelhante ao dos adultos, ou seja, com períodos de sono mais longos à noite.

Para que esta mudança ocorra, os pais precisam desde o nascimento, estabelecer uma rotina, com horários de banho e alimentação minimamente previsíveis, além de um ritual de sono (banho, amamentação, massagem / brincadeira relaxante antes de dormir). A rotina tornará a criança segura e confiante, pois ela sempre “saberá” o que irá acontecer! Além disso, é muito importante estimular a diferenciação entre dia / luz e noite/ escuridão e ruído e silêncio, para “auxiliar” o relógio biológico da criança que, como já dito, a partir dos três meses poderá já fazer esta diferenciação, acarretando em noites mais longas e sonecas diurnas com horários melhor estabelecidos.

Assim, com pequenas, mas importantes intervenções, os pais podem, desde o nascimento, auxiliar o bebê na árdua e deliciosa tarefa de aprender a dormir e, por volta dos seis meses, as noites serão tranquilas, sem interrupções e os dias muito bem aproveitados, com bebês e papais descansados!