Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das maiores causas de morte e sequela neurológica no mundo industrializado.

Recentes estatísticas brasileiras indicam que o AVC é a causa mais freqüente de óbito na população de adultos. Em 2005 no Brasil, o AVC foi a causa de 10% dos óbitos e de 10% das internações hospitalares públicas.

Apesar das evidências que indicam ser o AVC um dos maiores problemas de saúde pública mundial, ainda são escassos os fundos de pesquisa direcionados para esta área quando comparados com as doenças cardíacas ou neoplásicas. O conceito de AVC como uma emergência médica ainda é muito precário no Brasil.

A mortalidade nos primeiros 30 dias após o AVC isquêmico é de aproximadamente 10%, sendo principalmente relacionada à sequela neurológica, podendo chegar a 40% ao final do primeiro ano. A maioria dos pacientes que sobrevivem à fase aguda do AVC apresentam déficit neurológico que necessita de reabilitação, sendo que aproximadamente 70% não retomarão o seu trabalho e 30% necessitarão de auxílio para caminhar.

Os fatores de risco relacionados ao AVC podem ser divididos em não modificáveis e modificáveis. Os principais fatores de risco não modificáveis são: a idade, sendo mais comum em indivíduos com idade mais avançada; o sexo, sendo mais comum no sexo masculino, a raça, predominando em negro e a presença de história familiar. Entre os fatores de risco modificáveis, destaca-se a hipertensão arterial; o diabetes mellitus, a dislipidemia (colesterol alto), a presença de doença cardiovascular prévia; a obesidade, o tabagismo, a ingestão abusiva de álcool, a vida sedentária, o uso de anticoncepcionais orais, principalmente se relacionados a eventos trombóticos prévios ou tabagismo e a apnéia do sono.

Deve-se suspeitar que o paciente esteja apresentando um AVC quando ocorrer déficit neurológico focal de instalação súbita, sendo os mais comuns:

  • Alteração súbita de força e/ou sensibilidade em um ou ambos os lados do corpo
  • Dificuldade súbita para falar
  • Súbita confusão ou dificuldade para entender e se comunicar
  • Súbita dificuldade para a marcha ou equilíbrio
  • Súbita dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos
  • Cefaléia súbita e atípica

É preciso que a população de forma geral e equipes médicas e interdisciplinares de atendimento pré hospitalar ou emergencial sejam educadas e treinadas no reconhecimento destes sintomas como indicadores de possível AVC, para pronto encaminhamento dos pacientes a serviços de referência, visto que existe tratamento para a fase aguda do AVC (trombólise), que visa reverter os sintomas. Entretanto, este tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível a partir do início dos sintomas, pois quanto antes, maior a chance de o paciente apresentar melhores resultados. Portanto, caso suspeite que alguém próximo esteja tendo um AVC, procure imediatamente atendimento médico em Unidades de Emergência, preferencialmente que possuam equipe neurológica de plantão, para garantir a rapidez do atendimento e consequente sucesso do tratamento.

Após o diagnóstico do AVC, é muito importante que o paciente seja acompanhado por neurologista, com objetivo de prevenção secundária de um novo AVC, visto que a chance desse paciente apresentar outro evento vascular é maior que a da população em geral. Por isso, é imprescindível o controle dos fatores de risco e investigação da causa do AVC.